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quarta-feira, 16 de maio de 2012

As correntes de ar


No Caminho a constante mudança.
No mundo urbano a correria que nos impõe em todos os níveis.
Te perguntam como ela está, se está boa, como Voce sente- se  nela.
 A invisível corrida para não se sabe onde, o sobreviver perde o sentido e toma outros nomes.
Deverá fazer algum sentido esta torrente de frustrações, de amor incontido, da vontade que o tempo congelasse, uma era glacial caisse sobre tudo que impede de estar com Voce?
Queremos que o Amor permaneça e o que detestamos se extingua.
Mas tudo faz parte da realidade inarredável.
Chegamos a tirar fotos do profundo Universo e Heráclito já filosofava sobre a fluidez e a impermanência. Como dói  ver sua partida.
Se estamos doentes, ou amando demais, talvez a sensação de tomada de todos os locais da mente sejam fenômenos idênticos. 
Em alguns autores a paixão é quase uma doença. 
O amor de longo prazo muda ao transcorrer dos dias e nossas preciosidades tornam- se cada vez mais discutíveis. 
Dizem que deve existir coragem para mudar.
 Precisamos de coragem para permanecer como somos. 
O corpo se deteriora, Voce vai embora rápido e a noite fica fria e desgraçada quando a sensação de sua distância não poderá ser jamais preenchida.
Como Voce se percebe quando deseja demais?
Após conseguir o que desejava como lida com a satisfação?
Existem várias formas de comportamento daqueles que invadem, pilham , tomam, conquistam, vencem não se sabe o que.
Existe uma profecia  benigna sobre os vencedores.
Os conquistadores fazem do mundo sua imagem e semelhança, respeitam os vencidos, os colocam para agir em seus interesses.
Será algo doentio o nunca esquecer, esforçar- se por manter o fogo, a força de pedras devastadoras em alguma avalanche interminável.
Como sente- se quando observa que seus sonhos são os mesmos de alguma época distante mas não são mais possíveis, factiveis, aceitáveis.
Existe o envelhecer com dignidade, o politicamente correto, a tolerância diária , a aceitação do estranho de novos valores de outra época, o mundo  e a história em que estamos imersos . 
Quando ouço Voce é como uma eterna música divina, caso exista o céu e anjos possam cantar.
Mas no mundo não observamos anjos, apenas pessoas agindo das formas mais inesperadas e nossos julgamentos que dão historicidade a qualquer insignificância universal.
Pensamentos que fluem como invisíveis correntes de ar que são uma saudade infinita .
Todo dia morremos um pouco.


'' Quem entra na batalha com espírito covarde não terá uma morte gloriosa, 
quem valoriza o ideal deve prever que sabe como  morrer adequadamente.''
Daidoji Yuzan

sábado, 24 de outubro de 2009

A vestimenta e o espírito

Hoje ao receber a vestimenta que compõe o traje tradicional do samurai é invadido por uma sensação de jornada que se inicia.
Misto de intensa alegria e constatação do princípio do bushido de não alegrar- se nem entristecer- se.

Um samurai deve antes de tudo ter sempre em mente, dia e noite, desde a manhã de Ano - Novo, quando pega seus palitos para tomar café, até a noite do último dia do ano, quando paga suas faturas, o fato de que um dia irá morrer. Essa é sua principal tarefa.
Daidoji Yuzan, século XVI.
O traje tradiconal do samurai utilizava duas vestimentas em forma de triângulo.
A parte superior, chamada de kamishimo, abria- se para os céus e simbolizava o mundo espiritual. A inferior, denominada hakama, estendia- se para a terra simbolizando o mundo físico.
Os dois triângulos se juntavam no hara, ou centro, dessa forma unindo o céu e a terra ao corpo humano.Essa junção é também descrita como musubi, que significa unidade de harmonia.
O kendo- gi , a vestimenta para prática do Kendo, é composto da parte superior( o uwagi) e uma parte inferior( o hakama).
Apesar da grande variedade de cores, um dojo tradicional só permite as cores azul- anil ou branca.
O cuidado que o praticante tem com seu kendo- gi demonstram seu amor e dedicação a arte.
A vestimenta é repleta de significados e conotações. Um exemplo encontra- se descrito por Darrell Max Craig em sua obra A arte do Kendo e Kenjitsu- A alma do Samurai.
O hakama possui cinco pregas Elas possuem um significado religioso na espiritualidade japonesa tradicional. A introdução do Zen no Japão remonta ao século VII, segundo Kaiten Nukariya, em seu estudo sobre a religião dos samurais.
Cada uma das duas pregas das costas representa um Deus da guerra, a parte que junta e prende as duas pregas simboliza o Deus sol.
O conjunto representa a harmonia. As cinco pregas devem simbolizar as cinco virtudes do código de conduta dos samurais: Jin, Gi, Rei, Chi e Shin.
Jin - a benevolência e o afeto.
Gi- a retidão e a justiça
Rei- a cortesia e a etiqueta
Chi- sabedoria e inteligência
Shin- a sinceridade.

Quando o Mestre foi para Wei, o condutor de carruagem estava com ele.
O Mestre disse: ''Que população florescente!"
O condutor de carruagem disse: ''Quando a população floresce, que outro benefício pode- se acrescentar?"
''Fazer as pessoas ricas.'' disse o Mestre
''Quando as pessoas tornam - se ricas, que outro benefício podemos acrescentar?''
''Educá-las.'' disse o Mestre.

''Enquanto o cavalheiro acalenta o bom governo, o homem vulgar acalenta sua terra natal.Enquanto o cavalheiro acalenta o respeito a lei, o homem vulgar acalenta o tratamento generoso.''
Confúncio
Analectos.