No Caminho e a marcha da história. Da História.
Nossos dias serão esquecidos pela inovação e tecnologia massacrantes, a História se fará presente em algum arquivo de milhões de terabytes e tudo se esmaecerá na memória de quem amamos.
Para Voce que precisa enxergar- se na luta, na vaidade, no fazer a importância na vida de alguém.
Para Voce que ama, que fica indignada, que sentiu seus afetos abalados.
Felicidade ou tristeza pela grande História, um ex- presidente vai preso, o símbolo de sua liberdade é a soltura de outros condenados, e o Brasil se assemelha a imundície e destruição.
Esperança nas obras para fazer amor com Voce.
Alegria nos dias de sol e mar e parentes com saúde e filhas com a vida em franca navegação adulta. Satisfação no karate- do, no coração livre de amarguras, todas as espécies de afeto merecem redenção.
Seus atos devem condizer com suas palavras, o preço é alto.
A referência ao Japão e sua sociedade milenar. O ikigai, a razão por que todas as manhãs nos levantamos da cama.
O propósito e as práticas inspiram a caminhada ao grande momento em que todos enfrentaremos.
A vida longa, saudável, feliz.
Não comer até satisfazer- se, beber chá, conviver e estar permanentemente ocupado.
Vida simples, conversas sinceras, suavidade.
Aprender e aprender sempre, mesmo com o corpo trêmulo, com a perda do amor, com a implantação da desordem em nossas mentes, o mundo devastado por maníacos e ladrões, aprender e aprender ...
No Caminho superar a vaidade , a admiração não pode toldar nossas percepções.
A arte de consertar os vasos quebrados e torná-los mais belos é fruto de uma forma muito especial de encarar a existência.
O kintsugi ou kintsukuroi é a arte japonesa de reparar com ouro objetos em cerâmica quebrados.
Desta forma, o que está quebrado não é jogado fora e acaba adquirindo um grande valor.
Normalmente se utiliza nesta técnica misturas feitas com pó de ouro ou prata.
O que estava destruído torna- se mais belo e mais forte.
'' É preciso celebrar a essência de cada ser vivo.''
No Caminho e um dia depois do outro.
Um amontoado de impressões após a insônia, o bom dormir, a vontade de amar e lutar e que os dias se estendam para uma vivência gloriosa e repleta de alegrias.
Que bom que Voce prossegue em seus objetivos.
Não se deprima, não permita te enganarem, consiga ver além do imediatismo, desperte a gratidão e o perdão, tenha compaixão, nunca abandone suas armas sem cuidado...
Fazer o bem o quanto puder.
Não guardar ressentimentos.
Não somos vasos que quebram e o vento e a eletricidade estão para afetar a todos.
Socorrendo- se no livro do samurai, em 1710, Yamamoto Tsunetomo inspira este espírito ansioso.
Devemos ser cuidadosos por falar demais. O mundo é feito de vaidade.
Usando a metáfora da guerra sem trégua, de um cotidiano violento, ingrato, injusto, voraz, pérfido, repleto de psicopatas e vítimas, um frescor oriundo de um mundo de senhores e vassalos.
O Caminho do Samurai deve residir na consciência de que não sabemos o que acontecerá a seguir e no questionamento de cada pormenor , dia e noite.
A vitória e a derrota dependem das forças temporárias das circunstâncias.
Do Hagakure: Não existe nada além do pensamento do momento presente.
No Caminho e as interpretações.
Quando esta tristeza fizer sentido um belo dia de sol e embriagues apagará tudo.
A poesia se alimenta de dor, frustração e alguma dose de desejo.
Gostamos de achar que podemos fazer o bem, de sermos confiáveis, de imaginar que vamos proteger Voce de todas as intempéries, hospitais, injustiças, desilusões.
Produzimos em nós mesmos a suprema tolice de nos acharmos bons e que estamos a fazer o nosso melhor.
Nunca saberemos.
Como é julgado a sua atitude? O que produzirá o teu sacrifício?
Lidar com a indiferença, administrar as feridas da ingratidão, as consequencias incontroláveis , as lágrimas solitárias, o aperto no peito, o sorriso distante, e tem de aturar sentir - se estúpido e pouco amadurecido.
As mãos suam e todo seu esforço só o torna mais angustiado e consciente de quanto isso não faz sentido.
Prosseguir além das UTIS, das prisões que não modificam a natureza das coisas, do sorriso dos libertados sem condenação, de querer esquecer de quanto se dedicou inutilmente e tudo se transforma em pó e ressentimento.
As interpretações passarão e este gosto amargo trará sabedoria.
A dor e os hospitais, nos dirigimos aos templos da ciência da cura, da mitigação do sofrimento, da busca de um pouco mais de vida.
Toda a luta para ter momentos de alívio, vitória contra nossa pequenez, superar a sensação de desimportância ,e constatamos que algum poço profundo nos leva a depressão, a solidão, a perda do amor por tudo que não seja imediato e o silêncio alivia.
Voce está aqui e agora nada mais importa.
Respeito a dor e a angústia e o sol nascerá independentemente de todo sofrimento.
Partiremos sem olhar para trás , o passado não importa, as dívidas serão enterradas com memórias de sorrisos.
Não desperdice lágrimas novas em tristezas antigas ensina Eurípides.
Flaubert escreveu que a tristeza é um vício.
Muitos omitem a morte nas suas citações pois o desconhecido as apavora.
Os japoneses e o ikigai, aquilo que dá significado a vida, o que dá sentido a um dia depois do outro. Construir vasos, criar filhos, embelezar o mundo, lutar contra os assassinatos insolúveis, pensar em como tudo poderia ser diferente se...
A lua nos inspira a manter o corpo firme para fazer algo bom.
Não é a intensidade, mas a duração dos sentimentos nobres que tornam os homens bons.
No Caminho e a plenitude.
As reflexões se misturam como as águas e os destroços da cidade.
A morte no Rio de Janeiro, a tristeza do Brasil degenerado, o desrespeito em geral , a imundície.
É necessário irmos para muito além disto, precisamos absorver as carências, lutar contra as injustiças, amenizar a dor de quem pudermos oferecer nosso carinho.
Desenvolver o corpo como o receptáculo da mente voraz, destemida, insaciável. Estamos no trajeto da serenidade.
A espada afiada , embainhada, o olhar de desapego, a luta no paradoxo da sociedade dos prazeres.
Sobre a luxúria, o amor, a dor do luto, o crescimento das plantas, um dia depois do outro.
Amar e suportar, desfrutar, e ou é, nos maravilhamos ou nos perdemos nas palavras, estas se consomem em bytes para o esquecimento ou a imortalidade...
Voce está aqui.
Curiosa, perguntando ou respondendo, afastando, aproximando, marcando prazos, desejando clientes, construções e cores e inovações e marketing e tudo pode ser fruto de uma ansiedade sem limites pois nos desejamos mais e mais...
Quando tudo tornar- se tolice o diamante estará em seu coração.
Descobrimos Étienne de La Boétie (1530-1563) e sua obra Discurso sobre a servidão voluntária,tradução Evelyn Tesche,1º edição em portugues 2017.
Por que alguém se submete? Por que somos obedientes?
A servidão voluntária está em nossos hábitos, escravizados pelo dinheiro, pela pressão que nos impomos , a sociedade e seu código.
A servidão se reflete em como lidamos com os ódios, as dores insuportáveis de perdas que jamais retornarão.
Quais nossos limites de tolerância e suportamento de assassinatos e estupros mentais e físicos?
O que nos permitimos obedecer? Este limite é imposto pelo indivíduo e socialmente cobrado .
Nos submetemos as armas, ao dinheiro, ao amor, ao mêdo da morte.
Como nos submetemos, qual a nossa dor, que desrespeito a faria matar ou morrer?
No Caminho nos submetemos ao treinamento árduo, o olhar para o pico da montanha.
A servidão é amarga e a liberdade é doce, e devemos ter piedade daqueles que tem o pescoço sob jugo.
No Caminho e as interpretações.
Os atos e suas consequências, o que fazemos e o que pensamos que fizemos, a contradição nos sentimentos inescrutáveis, a dúvida de ofertar e recusar e toda esmola é indigna, o que é precioso é o amor.
Nas ofertas de sentimentos amorosos, a ajuda desinteressada, existe esta possibilidade?
Nos gostaríamos de sermos esponja para absorver a tua dor.
Temos em nossa rota uma forma de ser que nos agiganta e isola.
Todos os dias como se fosse o último, um desejo descontrolado, o corpo não domestica a mente agressiva e conquistadora, a espada deverá estar embainhada para não realizar seu destino de matança e vingança e felicidade pelo poder e surgem as lágrimas pela morte de inocentes e dor sem fim pelo que não pode ser consertado.
Este dia maravilhoso de sol e sensualidade e vontade de riqueza pode ser domesticado pela angustia e solidão?
Treinar sempre para que o fisiológico tome conta da alma, não se deixe vergar pela frustração, todos os dias nos aproximamos do fim.
Existe um fato inescapável, aos 19 ou 80 anos, uma solução entre luzes , os tibetanos nos orientam para que façamos o bem e teremos a nossa oportunidade de escolher as cores certas no Caminho único que teremos todos que enfrentar.
''A liberdade é algo que se tem e não se tem ao mesmo tempo, a liberdade se conquista.''