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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Dia nuvem afastando


Estava sempre por iniciar aquele romance. Sentia- se incapaz. Lembrava  quando Hesse apresentou o Lobo da Estepe. Ainda morreria de referências...
Não devemos desperdiçar em nossas vidas. Cada respiração, o olhar para adiante, a noite imersa na insônia e na vontade de que fosse diferente.
A insatisfação pode tirar o sono, remeter a ação, somatizar em dores intermináveis?
Somente os formados podem escrever com os sentimentos escorrendo pelos dedos oriundos do corpo inteiro. Algum momento obterá resposta os seus contínuos apelos por alguma união verdadeira? Grandes desejos ao início da semana. 
Será apenas a convenção do calendário?
Fosse livre  poderia criar os nomes dos dias?
Voce não decepciona em machucar, fazer-se ausente, não dar importância. 
Os terremotos, imprevisíveis, aguarda-se que virão, nunca com certeza quando.
Postumamente  os textos farão sentido? 
A vaidade que impulsiona escrever , desejar Voce aqui, levantar- se e encarar o trânsito e os potes a preencher de carinho e amor.
Estava sempre a iniciar aquele romance.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O lobo da estepe


Um livro desafiador  que provoca reflexões sobre nossos comportamentos , desejos e procedimentos perante as rotinas do dia.
Hesse, o autor, quando da publicação reclamava que '' a burguesia rejeitava o livro por ser impiedoso e desordenado, e os socialistas porque o achavam irremediavelmente individualista, ou seja demasiadamente burguês, segundo eles''.
Harry Haller, personagem do livro O lobo da Estepe é um homem de cinquenta anos que acredita que sua integridade depende da vida solitária que leva em meio as palavras de Goethe e as partituras de Mozart...
'' Sou na verdade o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes - aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem ar nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível.''
Escrito em 1927, repleto de influência da psicanálise, é uma obra que subverte a lógica linear e possui inúmeras sutilezas , ao apresentar três versões de Harry Haller: ele é o editor que escreve e que surge narrando a história em que observa o comportamento de um cidadão que se porta desequilibradamente , sob a ótica de alguém caseiro, rotineiro, burguês, observando um '' farrista''.
  E , como um aspecto mágico, surge um propagandista  em que retrata a análise do comportamento do lobo da estepe.
'' Um homem da idade média condenaria totalmente o nosso estilo de vida como algo cruel, terrível e bárbaro.Cada época, cada cultura, cada costume e tradição tem seu próprio estilo, têm sua delicadeza e sua severidade, suas belezas e crueldades, aceitam certos sofrimentos como naturais, sofrem pacientemente certas desgraças.''
Fascinante  é que não se pode e o Autor apresenta que não existe como deva ser entendido a história.''Que cada um nele encontre aquilo que lhe possa ferir a corda íntima e o que lhe seja de alguma utilidade!''
A pergunta é sobre se existe um Lobo da estepe em cada um de nós.  E , como diz Harry,  ''na história existe enfermidade e crise, ela não leva a destruição e morte e sim ao contrário,  a redenção''.